Buscar
  • Brasil Bio Fuels

Sistemas Isolados Mais Verdes e Mais Baratos

Prevê-se que o custeio do atendimento a localidades ainda não cobertas pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) entrará em declínio nos próximos anos. Isso deve ocorrer progressivamente, porém não por completo, visto que ainda assim, será inviável economicamente estender fios e fincar postes para suprir comunidades muito pequenas ou localizadas em áreas de proteção ambiental. Essa transição gradual, dependerá tanto do ritmo da continuidade do Programa Luz para Todos (LPT), ainda com uma demanda residual a resolver, como também das conexões ao SIN por meio de projetos de transmissão, pois os cronogramas das obras estão sujeitos a atrasos não previsto, seja por conta de barreiras de licenciamento ambiental ou de questões fundiárias.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) propõe que a introdução de geração renovável, associada a novas soluções de armazenamento de energia, irá aos poucos baixar o consumo de combustíveis fósseis, que são utilizados há décadas, principalmente na região Norte, como tecnologia predominante nos Sistemas Isolados. Essas instalações somavam, até o ano passado, algo em torno de 278 pontos, num total de 1.900 MW instalados, dos quais somente 50 deles têm alguma chance de interligação por rede até 2026.

Outros aspectos considerados para a redução gradual de impactos são as emissões de gases poluentes, levando em conta a queima de óleo diesel por anos em plena floresta amazônica, e a complicada logística de transporte de combustível a localidades remotas. Há também questões que contribuem negativamente, com o passar dos anos, para tornar os sistemas isolados sinônimo de dispêndio elevado, conduzindo, portanto, o governo a se empenhar mais na busca de redução do ônus desse encargo sobre as contas de luz, visto que a compra de combustíveis é arcada pelos consumidores brasileiros todo ano, onde a Eletrobrás projetou para 2017 um desembolso da ordem de R$ 6,7 bilhões destinado ao sustento da chamada Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), dos quais R$ 1,2 bilhões correspondem à previsão de tributos.

A legislação de contratação de geradores veio passando por mudanças – regida pelo Decreto 7.246/2010 e pela Portaria 600/2010 – até que, mais recentemente o Decreto 9.047/2016 introduziu mais novidades. Em adição, ainda em 2017, o governo federal planeja fazer com que as empresas de distribuição da Eletrobrás passem para o controle privado, embora os contratos existentes devam permanecer em vigor, independentemente dos agentes que sucederem a estatal no controle das companhias. Os cálculos sobre o suprimento de combustível e energia eram responsabilidade das distribuidoras locais, e atualmente, passaram a ser encargos do Operador Nacional do Sistema (ONS). Além disso, algumas demais incumbências da Eletrobrás foram distribuídas à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e EPE, conservando a organização dos leilões a cargo da ANEEL.

No último leilão promovido em maio para atendimento de demandas na área de atuação da Amazonas Energia, segundo explica Gustavo Ponte, consultor técnico da EPE, os agentes interessados apresentaram propostas alternativas ao projeto de referência sugerido pela Amazonas Energia, foram mais de 30 opções representando um resultado positivo. Nenhuma delas, no entanto, foi suficientemente competitiva para rivalizar com as versões movidas à óleo diesel. “O ganho do empreendedor com a economia de combustível terá, nesse caso, que ser repartido com os consumidores”, observa o consultor da EPE. Já para o próximo leilão, complementa Pontes, a ideia é eliminar a necessidade dos projetos de referência – agilizando todo o processo – e deixar em aberto, para que os participantes fiquem à vontade para apresentarem instalações com as fontes de geração que entenderem ser as mais competitivas em relação à demanda posta em edital. Pontes destaca que será difícil eliminar por completo a queima de diesel, pois é necessário ter backup para não deixar a população sem energia em caso de falha no sistema alternativo, além disso em alguns casos, o sistema tradicional é requerido para utilizar potência robusta para suportar a carga. Apesar destes fatores haverá, sim, economia gradativa no consumo de óleo que, também pode ser substituído por biocombustível. É o que já se passa, desde 2016, em dez localidades de Rondônia e quatro do Acre que são atendidas por uma capacidade total instalada de pouco mais de 18 MW em equipamentos operados pela Agrekko contratada pela Brasil Bio Fuels, que fornece biodiesel fabricado por sua usina localizada em Ji-Paraná/RO.

A atual tentativa do governo de alterar a abordagem dos sistemas isolados não é novidade, no passado tentou-se implantar novas alternativas, como no caso do projeto pioneiro de gaseificação de biomassa, que se mostrou viável na época, mas foi recusado pela Companhia Energética do Amazonas (CEAM). No que se refere a opções tecnológicas para incrementar as instalações em futuro próximo, os geradores podem permanecer com algumas modificações positivas, como a possibilidade de agregar baterias de lítio, por exemplo, que já é uma prática muito comum no exterior, atualmente no Brasil, a chamada 21 da ANEEL para projetos de P&D Estratégico em pleno andamento, objetiva permitir a experiência de inserir vários tipos de instalações diferentes as convencionais.

Adaptado da Brasil Energia, nº 439/2017

2 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

Audiência pública Amazonbio

AMAZONBIO estará em audiência pública do dia 17/03 a 17/04, referente ao projeto RENOVABIO, para emissão e comercialização de CBios. Logo após esta etapa aguardará a devida homologação da ANP para i

Siga-nos

  • Facebook
  • Instagram
  • LinkedIn - círculo cinza

(11) 2770-2000

Rua Bela Cintra, 904 – 6º Andar

CEP 01415-002

Consolação - São Paulo/SP

contatos@bbfuels.com.br

BRASIL BIO FUELS © 2020 | TODOS OS DIREITOS RESERVADOS